Discussão:História de Porto Claro
De Micronations
[editar] Cidade de Papel
O Rei Daniel II, originalmente Daniel da Silva Mesquita, reinou por pouco tempo no ano de 1992, mas ficou para sempre na História. Foi sob seu reinado que surgiu a política de Porto Claro tal como ela é hoje em dia, com seus empresários, grandes diferenças político-ideológicas e principalmente a influência de grandes líderes no curso dos acontecimentos.
Até 1992 não havia parlamentarismo. O rei era chefe de estado e de governo e administrava o País com seriedade, na medida do possível, com a ajuda de um gabinete de ministros nomeados por ele próprio. Também não havia parlamento.
Foi Daniel II que mudou esse quadro. Ele instituiu o parlamentarismo, deu início à redação de uma constituição (que vigorou até 1997) e lançou a pedra fundamental da introdução da democracia na vida política da nação. Casou-se cedo com Joana, filha de um industrial viúvo chamado Leonardo Coimbra, num casamento bem arranjado. Dessa união nasceram os filhos Sérgio e Cátia. Daniel II foi um rei sábio e equilibrado, mas por uma peça macabra do destino acabou tendo seu reinado decepado logo no começo.
Sua esposa, a rainha Joana Coimbra, era uma mulher que gostava de dar festas e estimular a aristocracia. Elegante, reuniu a sua volta várias pessoas elitistas e mesquinhas que passaram a ser mantidas às custas da Coroa. Em seus vários bailes e recepções que dava nos palácios e nas mansões do Reino conheceu pessoas influentes, e com algumas das quais chegou a ter casos amorosos, longe das vistas de Daniel, que agora preocupava-se com o futuro do sistema político portoclarense.
Havia, entre os nascentes políticos de 1992, um economista chamado Pedro Aguiar que colaborara e trabalhara para os L’Ambert, a família de industriais. Ainda com o apoio dessa família, Aguiar conseguiu entrar para as rodas da alta sociedade e se lançou como candidato à prefeitura da capital. Com um programa de governo que propunha reurbanização total de São Herculano (afinal, ainda era uma cidade colonial), grandes obras, incentivos à instalação de indústrias e criação de empregos, Aguiar foi eleito disparado. De fato, foi sob a administração dele que a cidade se desenvolveu mais, atingindo rapidamente o status de metrópole. Fez “Planejada”, o bairro de ruas largas e retas feito especialmente para abrigar as indústrias, numa área que era desabitada na capital. Com seu trabalho reconhecido pela população, foi reeleito e obteve novamente boa vitória, mas não sem a oposição de outro empresário já presente há mais tempo no cenário, Fabio Ferrari. No segundo mandato foi escolhido vice um cientista-ecologista de tendências esquerdistas, Jeferson Pires, que tinha projetos que não correspondiam aos interesses do prefeito e que, em pouco tempo, se tornaria oposição.
Da noite para o dia, Aguiar criou fama, ganhou a simpatia do rei e da corte, entrando para a política nacional. Era, oportunamente, nessa época que se discutia a implantação do parlamentarismo, para evitar casos em que monarcas debilitados ou não-afeiçoados com a política prejudicassem o Estado. Com o poder executivo nas mãos de um primeiro-ministro que representasse os interesses da elite, Porto Claro poderia ganhar mais estabilidade.
Cedendo a pressões, o Rei Daniel II institui o parlamentarismo e chama logo quem para ser chefe-de-governo: Pedro Aguiar.
Como empresário, ele passa a administrar o Estado como uma empresa: cria vários órgãos públicos, como o Banco Nacional de Porto Claro (BNPC), que emitia moeda e administrava as finanças do Governo, contratou gente qualificada, formou um gabinete de empresários que incluía Rodrigo Halfoun, dono da montadora Halfoun Motors para o ministério dos Transportes, Leandro Riente, industrial, para o ministério da Indústria, Roberto Lyra, juiz, para o ministério da Saúde e também Bruno L’Ambert para o ministério da Economia. Ou seja, entregou a cada um a área de que precisavam.
Aguiar criou o xifre, moeda nacional, porque antes eram aceitos o cruzeiro e o franco, e o imposto único, mensal, que as pessoas deveriam depositar no BNPC. Esse imposto era usado para o Governo investir em instituições públicas e pagar o funcionalismo. Também nessa época surgiu o Diário Portoclarense, jornal do próprio primeiro-ministro, e a rede de comunicações Aguiar.
As empresas estatais eram maioria, mas isso não incomodava os empresários, já que eles detinham o controle do Estado. Incomodava somente aos empresários que não participavam da “festa” de Aguiar, como Fabio Ferrari. Quando, porém, Jeferson Pires, que tinha-se tornado prefeito quando Aguiar renunciou ao cargo para ser primeiro-ministro, começou suas “reformas ecológicas” que atrapalhavam os planos de megaobras do Governo, este tentou impedi-lo. Aguiar tentou substituir Pires por Ludmila Aparente, advogada, e o prefeito pediu ajuda logo a Ferrari. Assim os dois deram início a uma oposição anti-aguiarista que duraria muito tempo.
O medo que pairou sobre o primeiro-ministro era que o Rei Daniel, que tinha poder sobre o Governo, se deixasse levar pela recém-formada aliança dos dois. A Rainha Joana, pelo contrário, estava do lado de Aguiar pois confiava mais nele. Assim o primeiro-ministro conseguiu formar um acordo com a consorte para obter apoio junto ao rei.
Durante um tempo os dois cumpriram esse pacto, que foi muito importante para a conspiração que travaram, incitados por Joana, quando veio a público que o rei estava sendo traído por sua esposa com um fazendeiro brasileiro chamado Fabiano (desconhece-se o sobrenome dele). A atitude normal do rei foi pedir o divórcio, porém Joana não aceitou, pois não queria perder as regalias palacianas e ainda sair com má fama. Pôs-se então a arquitetar um plano maquiavélico.
Como era interesse de Aguiar obter caminho livre para seus objetivos, e a Rainha Joana lhe prometia essa “carta branca” caso fosse monarca, o primeiro-ministro aderiu à conspiração. Reunidos com o tal Fabiano e o filho de Pedro, Rodrigo Aguiar, passaram a tramar a morte de Daniel II. A idéia elaborada era de fazer alguém acima de qualquer suspeita assassinar o rei e depois fazer queima-de-arquivo com ela, de modo a deixar o poder livre para Joana e o Clã Aguiar, eliminando junto Jeferson Pires e Fabio Ferrari do cenário político.
Nesse meio-tempo, porém, a rainha e Fabiano brigaram, e o ex-amante passou a ser mais uma vítima do diabólico plano que arquitetaram.
Coube a Aguiar preparar o terreno: publicou, no Diário Portoclarense a 19 de outubro de 1992, uma segunda-feira, que a Princesa Cátia não estava muito bem de saúde mental e que talvez tivesse que ser internada. Uma farsa, pois ela estava muito bem. Porém, na noite daquele mesmo dia, o rei era apunhalado e morto em seu quarto no Palácio Chifon, e Cátia considerada culpada.
As demais transações foram feitas na madrugada da terça-feira 20. Aparentemente apavorada, a Rainha discutia o que fazer com a Princesa, já que ela tinha imunidade real. O Gabinete foi convocado às pressas, telefonemas secretos foram dados e decidiu-se que Cátia deveria aguardar uma sentença em cativeiro domiciliar. Só que foi levada para o sítio de Fabiano, o ex-amante da Rainha, que ficava na periferia da cidade, e lá foi misteriosamente “picada por um escorpião” e morreu.
Na manhã do dia 20, o DP “publicava, em letras garrafais: ‘O REI MORREU’. Subtítulo: ‘Cátia mata o rei e o novo rei é Sérgio III.’ Embaixo, outra manchete: “Sérgio não é rei legalmente”. A matéria dizia que o Rei Daniel havia morrido sem assinar o documento de ‘Declaração dos Herdeiros’. No editorial, Aguiar lamentava as mortes de Cátia e Daniel II”, como documenta a “História Resumida de Porto Claro”, do Museu Jéssica. O segundo bode expiatório, Fabiano, foi condenado à morte.
Essa “Declaração dos Herdeiros” era um documento fabricado por Aguiar que, de acordo com uma lei, deveria ser assinado pelo rei para que os herdeiros do trono fossem reconhecidos. Mas sabiamente esse documento não foi entregue ao monarca, possibilitando assim a ascensão de Joana I, Rainha de Porto Claro, ao trono.
O “Golpe”, como ficou conhecida a conspiração, foi o ponto de partida do domínio completo exercido por Aguiar que se seguiria. Joana, a rainha, era agora monarca mas deu a tão esperada carta branca ao primeiro-ministro, para que ele fizesse o que quisesse. Foi durante o curto reinado de Joana I que Porto Claro se viu mergulhado numa explosão de empresas do “Grupo Aguiar”, que passava a controlar praticamente tudo. Foi também nessa época que se organizaram as oposições e os conflitos com o Governo.
Joana, para consolidar seu pacto, casou-se com o Rodrigo Aguiar e com ele teve Telêmaco Daniel, que o primeiro-ministro logo adotou como neto predileto. Passou a ser uma rainha afastada da política e quase esqueceu dos filhos. Foi seu pai, Leonardo Coimbra, quem acabou de criar Sérgio. Suas idéias foram as que permaneceram na cabeça do príncipe por mais tempo.
Essas idéias, então, foram as que levaram Sérgio a tramar uma lenta vingança contra o algoz de seu pai. Articulou-se com o prefeito Jeferson Pires, o avô Leonardo Coimbra e o empresário Fabio Ferrari, que foi seu maior aliado na oposição a Aguiar.
Na eleição municipal que se seguia, o primeiro-ministro pôs como sua candidata a advogada Ludmila Aparente, concorrendo com Jeferson Pires e Roberto Lyra. Nesse momento, no entanto, Sérgio se articulou e provocou uma mudança no cenário das eleições com a criação do PCPC, o Partido Comunista de Porto Claro, que prejudicou Ludmila e ajudou Pires. Com a eleição de seu adversário, Aguiar pôde ver que Sérgio estava começando a exibir sua força e que teria que enfrentar o futuro rei como inimigo.
Aguiar, então, tomou conta do país como se fosse sua fazenda, tornando cada território não-ocupado um terreno seu, mesmo sem construir nada ali, pôs as empresas do Governo em seu nome, misturou o que eram seus negócios particulares com os negócios do Estado, pôs seus capangas para patrulhar a oposição, embargou obras de Jeferson, atacou Ferrari enquanto pôde e se concedeu o título de Duque (através da rainha, obviamente).
Sérgio e seus aliados, então, atacaram pela mesma moeda. Se Joana era facilmente manipulável pelo primeiro-ministro, por que não seria pelo próprio filho? Após se casar com Paloma Aguiar, a filha de seu adversário, Sérgio reclamou a coroa e obteve-a facilmente. Ele então passou a ser o monarca de fato, Rei Sérgio III, e pôde acirrar sua disputa.
Ao invés de apelar para a tática de Aguiar, que era a de ir contra o inimigo, Sérgio foi mais inteligente e passou a trabalhar separadamente, fazendo as coisas que Aguiar não fazia. Atendia a população, criava escolas, incentivava as pequenas empresas, buscava apoio junto à “plebe”. Montou, com seu avô Leonardo, o IRD, Instituto Real de Documentos, que cadastrou e documentou os cidadãos e com Fabio Ferrari fundou o Jornal Real, mais tarde Gazeta Real. E, aí sim, passou a cobrar várias tarefas e projetos do primeiro-ministro. Estimulou seus amigos e os outros empresários a fazerem o mesmo. Pressionado por todos os lados, Aguiar renunciou.
Sérgio, então, apoderou-se do Governo, nomeou a si próprio primeiro-ministro, fez um “plano de governo” propondo investimento maciço no social e guerra aos milionários (só os inimigos, claro), e passou a baixar várias leis que visavam atingir seus últimos adversários.
A maior delas foi aquela que limitou a propriedade privada, de modo que Aguiar teve vários de seus bens confiscados, perdeu força. Para tripudiar, Sérgio “descobriu” que o ex-primeiro-ministro estava desviando dinheiro dos impostos para seu próprio bolso e mandou prendê-lo. Aguiar fugiu e, muito estranhamente, desapareceu num acidente aéreo sobre o Caribe. O Rei pôde então governar tranqüilamente, de acordo com seus princípios. Terminava assim a primeira fase da História Recente de Porto Claro. A I Geração.
[editar] Bonecos de Papel
Bonecos de Papel (1993-1997)
Após o fim de Aguiar, ou seja, após o término de sua influência na política portoclarense, seguiu-se um relativo período de paz interna. Com o enfraquecimento das oposições, que eram lideradas pelo ex-primeiro-ministro, Sérgio e seus aliados puderam se estruturar melhor e consolidar sua união.
A iniciativa socialista-monarquista do rei, que tinha apoio então de várias camadas da sociedade, sofreu um baque com a morte prematura de Fabio Ferrari. Mas os aliados do rei conseguiram superar isso e implantaram pela primeira vez na História um estado monárquico com projetos definitivamente socialistas, como estatização em massa, política de bem-estar social em primeiro plano no Governo, nacionalismo e planificação da economia. Os partidos vão-se abolindo por si só e no final de 92 o Estado tem um governo popular, democracia apartidária, fim das brigas internas e tudo isso sob um rei socialista que passaria à História como “O Coroa Vermelha”.
Então Porto Claro passa a ser um reino democrático e popular. Não há primeiro-ministro, mas o rei ouve a população e atende aos seus anseios. Jeferson Pires recebe a terceira gestão como prefeito da capital e Rodrigo Aguiar muda-se com a família para fora de PC. Os grandes clãs de empresários estão decaídos e ou deixam o Reino ou se tornam classe média. As indústrias passam às mãos do Estado.
Apesar disso, a aristocracia continua sendo uma característica portoclarense. As pessoas mais próximas ao rei vivem se organizando e continuam dirigindo a política nacional. Apesar de o monarca ter bastante força, as esferas mais altas ainda decidem o futuro do País.
Com o afastamento gradual de Sérgio da política, essa aristocracia vai ganhando poder e mudando o rumo dos acontecimentos. A política de welfare-state prossegue, mas deixa de existir o compromisso estatal com a ideologia socialista. Na verdade, some completamente o caráter “popular” do Estado.
A partir do início de 1993 Porto Claro passa por uma transformação radical. Muitos imigrantes são atraídos pela prosperidade do Reino e eles vêm principalmente do Oriente: China e Egito. Tornam-se pequenos comerciantes, donos de lojinhas e menores estabelecimentos. Uma parcela significativa da população, então, é composta dessas pessoas. Um certo sentimento de racismo surge entre a alta aristocracia, mas é abafado.
Nessa época aparecem os primeiros líderes dessa aristocracia, que primeiro se posicionam como conservadores e mais tarde como sociais-democratas. Mário de Almirão é um deles. Obtém admiração, respeito e apoio do Rei Sérgio e acaba por convencer o monarca a mudar completamente sua política. O Estado passa a ser mais centralizado e cessa a política social. Até mesmo o próprio nome Sérgio muda: passa a ser “Leonardo IV”.
Almirão conseguiu casar sua filha Luísa com o Príncipe Fábio Leonardo, entrando assim para a Família Real. Passou a ser o braço direito do rei, em substituição a Ferrari e Pires, e também influenciou-o. Agora no fim da vida, “Leonardo IV” cria a Polícia de Porto Claro, que antes não existia, e chega a estimular na corte um certo misticismo, com um “sacerdote” cabalístico que foi logo abolido após sua morte. Também é nessa época que aparece um jovem político chamado Pierre Lamarcq Jackson.
O clima de elite, corte, festas e bajulação já era total quando Sérgio morre, em meados de 93.
Durante o tempo em que ficou no Palácio Chifon, Mário de Almirão teve a oportunidade de acabar de educar seu genro e formar o caráter do príncipe. Assim Fábio pôde subir ao trono como pessoa cordata e “de bom coração”. Não quis usar seu nome verdadeiro e imitou o pai ao usar Leonardo V como nome de coroação. Prometeu dar continuidade à prosperidade, mantendo a ordem e a paz social.
Sua promessa, embora não totalmente, foi na base cumprida. Durante o reinado de aproximadamente um ano de Leonardo V, o Reino experimentou crescimento e estruturação interna muito bons. O rei deu muito incentivo à criação de instituições de pesquisa (como os institutos de ciência, paleologia, cartografia, estatísticas, museus...) e de defesa (investiu no exército e ressuscitou a Guarda Real). Foi um rei que procurou sempre o apoio de suas elites, da aristocracia que a essa altura era “dona do pedaço” para estabelecer seu poder. Para isso solicitava dela a ajuda que precisava, e em troca atendia aos interesses dos aristocratas. Essa relação de troca-de-favores ou jogo-de-interesses entre monarca e elite culminou na volta do parlamentarismo com o único propósito de entregar oficialmente o Governo a Mário de Almirão.
Incentivou as artes e a ciência, embora não a um nível muito alto. Fundou órgãos públicos e abriu espaço às empresas. É nessa fase que surge a Aguiar Corporations, fundada no exterior por Rodrigo Aguiar. No período de 93/94 as pequenas e médias empresas de Porto Claro obtiveram um crescimento tão elevado que chegaram a ameaçar essa elite, que tinha poder de influência, não de dinheiro. Esses “emergentes” que se beneficiavam com a prosperidade nacional eram, em boa maioria, os imigrantes orientais. Foi a partir daí que a aristocracia ficou com um certo medo. Almirão estava “liberalizando” o Estado, estimulando essas empresas.
Almirão já era duque e Lamarcq Jackson já era ministro quando nasceu o pequeno herdeiro do rei, o menino loirinho que foi batizado de Leonardo Luís Ivan Mário Paulo Felisberto João Marcos Felipe Luciano de Almirão Aguiar Coimbra Mesquita ou, como ficaria conhecido mais tarde, futuro Rei Leonardo VI.
Em 1994, a Rainha Luísa, filha do primeiro-ministro, ganha mais participação no cenário político e abre caminho para novas iniciativas, entre elas a nova organização da Guarda Real, que passa a ser uma grande força paramilitar. A figura que ganha mais destaque é a de Lamarcq Jackson. Por ser um político experiente, consegue a simpatia da Família Real e a admiração da aristocracia. Posa para o povo de “jovem brilhante e carismático”. Na verdade, provou ser fraco e manipulável, além de muito passional o tempo inteiro. A Rainha Luísa aproximou-se dele esperando incentivar sua carreira política, o que deu certo. Porém, ao centrar suas esperanças em Lamarcq Jackson, a Rainha parece ter-se esquecido do seu próprio filho.
O Príncipe Leonardo foi criado quase que só pelo avô, o Duque de Almirão. Quando o rei descobriu que poderia ter uma morte prematura, a educação do príncipe foi acelerada, de forma que ele poderia assumir precocemente o trono. Assim, formaram o rapaz como estadista, político, estrategista e até militar, mas “esqueceram” de (ou não priorizaram) passar a ele os conceitos humanísticos e sociais. A miséria, a fome, a pobreza, ele desconhecia. Deram ao príncipe um conceito de mundo elitista e extremamente conservador. Tendo em mente sempre a possibilidade de se fazer uma sucessão real às pressas, os tutores, chefiados pelo avô do herdeiro, formaram uma mente fechada, egocêntrica e cheia de ódios.
O cenário de fora do palácio, de que o príncipe então não estava a par, era dos orientais dominando as pequenas empresas, estrangeiros controlando o comércio e a aristocracia perdendo o lugar para “emergentes” e classe média. Buscavam agora no príncipe e no Governo uma resposta para suas reivindicações: a volta da supremacia aristocrática sobre a sociedade.
Enfim, em julho de 1994, Leonardo V morre subitamente, e o príncipe estava viajando em estudos. Conta-se um episódio de que a Rainha teria procurado um jovem para simbolizar seu filho na coroação, que deveria ser feita imediatamente para não interromper o processo político. Esse “substituto”, que acabou não sendo necessário, chamava-se Alfonso Damião e ser tornaria mais tarde primeiro-ministro.
Temos então no trono portoclarense o Rei Leonardo VI, o mais autocrático mas também o mais ativo rei de Porto Claro. Ele sim, tinha sangue de monarca, e executava sua função com vigor e dedicação. Porém, mais por seu temperamento agressivo e impiedoso, acabou comandando um dos fatos mais grotescos da nossa História.
Ao subir ao trono, Leonardo VI cercou-se daquela aristocracia maquiavélica e com ela tramou um plano de eliminar a pequena burguesia dos imigrantes. Também planejaram um governo para Porto Claro que seria bem diferente do que já se tinha feito até então e que se basearia em outras experiências internacionais. O que pretendiam, na verdade, era um Estado forte, unitário, presente e ativo, mas também autoritário e muitas vezes antidemocrático. Assim surgiu o fascismo em Porto Claro.
O Partido Social-Nacionalista e sua doutrina, o “social-nacionalismo”, pregavam um nacionalismo exacerbado, culto à pessoa do Rei e ao Estado, obediência geral e confiança quase cega nas decisões do governo. Tentava passar a imagem de um partido vigoroso e poderoso. Para simbolizar essa imagem, Leonardo VI substituiu seu avô por Lamarcq Jackson no primeiro-ministério. Formava-se o governo que liderou o regime autoritário de 1994 a 1996. Esse partido, o PSN, foi criado por Leonardo VI e seus aliados (entre os quais podemos destacar Juarez Portro, Jacques Teccausteaux, Barbonelle Grazioso e Rodrigo Aguiar) ainda no início de 94 e em pouco tempo após a coroação do rei, já era o partido único. Seus 12 membros do diretório central tinham poderes decisivos sobre a política nacional.
Entre os primeiros atos do PSN e o novo governo que se formava, estavam a militarização do País, com o crescimento estúpido da Guarda Real, com organização inspirada na SS nazista; o controle disfarçado aos meios de comunicação; reintrodução da Igreja Católica junto ao Estado; a elitização total da sociedade; a estatização da economia; e o ponto mais crítico: o racismo e perseguição a imigrantes.
Os orientais foram os que mais sofreram. Chineses, japoneses e egípcios, pequenos comerciantes, tiveram seus bens confiscados para o Estado, sua vida controlada e, finalmente, foram presos e levados para campos de concentração secretos (provavelmente nas florestas de Pirraines e Campos Bastos), de onde nunca mais retornaram. Os segredos de Estado foram ou destruídos ou estão muito bem guardados até hoje.
Histórias escabrosas que se contam é que o próprio Rei Leonardo, pessoalmente, ia fuzilar os presos, como seu passatempo predileto. Outras versões dizem que as execuções eram rotina, e variava-se de fuzilamento, forca, decapitação ou mesmo queimar a pessoa viva. Um segmento secreto da Guarda Real, chefiado (sabe-se hoje) pelo tenente Ígor Vissarianovich, se encarregava dessa parte, inclusive de não deixar vestígios: queima-de-arquivo de possíveis desertores deviam ser comuns. Mas a grande repressão, perseguição aos civis não-brancos e idealização das execuções estava a cargo de Ziraldo Zacarias, o temível “Senhor Z”, como ficou apelidado.
A esta altura, fins de 1994, o PSN tinha controle absoluto de tudo, e o Rei era muito mais governante que Lamarcq Jackson. Este, apesar de ser primeiro-ministro e chefe-de-governo, era um dos últimos a saber das perseguições e pouco podia fazer. Com medo de ser perseguido também, demorou a renunciar, e só tomou coragem para isso quando viu que não estava sozinho.
O chefe da Guarda Real, Capitão Barbonelle Grazioso, era um homem de origem humilde, e só cumpria ordens. Um dia, porém, se deu conta das monstruosidades que estava chefiando e se recusou a cumpri-las. Foi ameaçado pelo Rei, e deixou o comando. Foi substituído pelo então tenente Felipe Cardoso (filho de Davis Cardoso). Mas não ficou inativo. Passou a estudar a História de Porto Claro e escrever documentos denunciando as crueldades do Rei, muitos dos quais foram apreendidos. Juntou um pequeno grupo escondido que passou a organizar uma oposição e a pensar num jeito de trazer a público tudo aquilo, mas com provas.
Para isso, violaram a tumba de um dos primeiros mortos do massacre (antes eram enterrados, depois passaram a ser incinerados), um chinês, que o Governo dizia ter morrido de morte natural, e mostraram os sinais de fuzilamento. O escândalo foi tanto que nem o próprio Diário Portoclarense, colaborador do regime, pôde deixar de noticiar. O Governo estava matando os “impuros”, como eram chamados os prisioneiros. Até a Igreja chiou. Já era início de 1995, e o governo Lamarcq Jackson não durou muito mais. O primeiro-ministro viu de fato o que seus colegas estavam fazendo, suas relações foram se deteriorando até que no segundo semestre daquele ano ele renuncia e Alfonso Damião, já o preterido do Rei e da Família Real, é o novo primeiro-ministro.
Antes disso, porém, fatos sacodem a sociedade aristocrática. Retorna ao País o filho de Rodrigo Aguiar, Telêmaco; o Rei se casa com a filha mais velha de Lamarcq Jackson, Ana Luísa, e Alfonso Damião desposa a caçula, Ana Maria; Ziraldo Zacarias passa a ser perseguido pelo Rei quando a oposição forja uma ofensa dele a Sua Majestade e foge do País; Felipe Cardoso é promovido a capitão; morrem o Duque de Almirão e sua filha a Rainha-mãe Luísa I.
Damião, ao assumir, deu um fim definitivo ao racismo e à perseguição, restaurou propriedades dos não-brancos, prometeu uma volta à democracia sempre adiada. Em suma, começou a abrandar o regime e tomou providências que Lamarcq Jackson não tinha tido peito para tomar. Cobrou de Leonardo VI um parlamentarismo de fato, com menos poder ao rei, e uma política social que acalmasse os ânimos do povo, que começava a confiar nas palavras de Barbonelle Grazioso.
Damião, primeiro-ministro, fez mais ainda: levou para a cama a mulher do rei, a Princesa Ana Luísa, e com ela teve a Joana Luísa, que acabou sendo coroada rainha em 1997 sem que ninguém soubesse que ela era bastarda. O caso que ele teve com a consorte durou pouco mais de um ano mas foi suficiente para causar rebuliço na corte. O rei, é claro, não sabia de nada, e Joana foi criada como princesa e herdeira do trono.
Foi graças a Alfonso Damião que Leonardo VI não ficou com a merecida fama de rei sanguinário, mas os dois pagaram um alto preço por isso. Tiveram que conduzir, bem fechadamente, um governo conservador, bem direitista mesmo, mas que tentasse passar à população a imagem de bonzinho, ao mesmo tempo em que continuavam atendendo aos interesses da aristocracia, a classe dominante em Porto Claro. O PSN foi institucionalizado, na forma de partido político organizado, com Damião como líder, e a imprensa foi liberada outra vez. As pequenas empresas de serviços do Estado, como a imobiliária e a funerária, faziam gratuitamente suas funções para ganhar a simpatia do povo.
Porém de outro lado estava a oposição, agora com Lamarcq Jackson próximo a Barbonelle, ambos denunciando essas estratégias do Governo. Barbonelle, por ter sido o primeiro a romper com o regime, posava de herói e buscava adeptos entre a Guarda e entre a classe média. Lamarcq Jackson ainda tinha a marca de ex-colaborador e era mais tímido em seus ataques, sem contar que era sogro duplamente do Rei e do primeiro-ministro.
Na passagem 1995/1996 o Rei Leonardo VI está menos déspota e discursa ao povo como soberano bondoso, anunciando os planos do Governo (PSN) para as áreas sociais, a abertura política e a redemocratização do sistema.
É nessa época que ele tem que enfrentar um problema a mais, dentro de casa. Joana Luísa, a Princesa Herdeira, que ele acreditava que fosse sua filha, tornava-se adepta de idéias socialistas e declarava publicamente seu desprezo pelo PSN e pela direita. Isso deixava Leonardo VI louco, mas seu consolo era o caçula, Fábio Luís (esse era filho legítimo, garantia Ana Luísa), que parecia seguir os passos do pai em tudo. Os irmãos (só por parte de mãe, na verdade) brigavam o tempo inteiro, especialmente na política, e chegou-se a pensar que eles poderiam travar uma guerra civil no futuro, caso o príncipe Fábio tentasse tomar o poder de sua irmã marxista.
Em meados de 1996 a redemocratização toma curso, com a criação dos vários partidos. Surge, chefiado por Lamarcq Jackson, o Partido Social-Democrata Nacional (PSDN) e, liderado por Barbonelle, o Partido Trabalhista Nacional (PTN). Juntos, esses dois partidos conduziriam a vitória da oposição em novembro/dezembro. Além desses criaram-se o Partido Socialista Popular, da jovem socióloga Luisa Cayenne, amiga da princesa Joana, o ultra-direitista Partido do Governo Centralizado, do neofascista Giorgio Puzo, e a ressurreição do PCPC por Tovário DeLacque, sindicalista.
São marcadas eleições para a prefeitura da Capital, em 10 de novembro, e para o Senado, em 8 de dezembro. Essas, aliás, seriam as primeiras eleições parlamentares de Porto Claro. “Esse Senado terá a função de constituinte, e elaborará uma nova Carta Magna para o Reino”, anuncia o Governo. O PSN se estrutura para enfrentar a oposição, e lança Felipe Cardoso para prefeito. A oposição lança Barbonelle e Lamarcq Jackson. Dias depois o ex-primeiro-ministro retira sua candidatura e os dois opositores fecham uma coalisão gigantesca entre PSDN/PTN/PSP/PCPC.
Alfonso Damião e o Rei Leonardo se juntam a Telêmaco Aguiar e o “trio PSN” traça suas estratégias, agora dentro do inevitável regime democrático. Porém, tudo é abalado por um fato de importância descomunal.
Navegando na Internet como um Colombo, o criador de Porto Claro descobre a existência de outros países como o dele, chamados de “micronações”. Esses países existem aos montes e têm histórias idênticas à de Porto Claro, estruturas também muito parecidas e estão dispostas a abrir relações com o Reino. Tudo pára por uns momentos. Boquiabertos, os paples e seu criador assistem à “Mudança total no rumo da História”, que é a descoberta das micronações para Porto Claro, equivalente à descoberta da América para a Europa. A 5 de setembro de 1996 é inaugurado o primeiro site oficial portoclarense.
Dentro do País, a centro-esquerda faz campanha batendo na tecla da podridão que o PSN fez no Governo, da repressão e de seu fascismo velado e ganha as eleições. Um acordo prevê que Lamarcq Jackson e Barbonelle Grazioso se revezarão no cargo de primeiro-ministro. Fora do País, Porto Claro ganha fama como única micronação latino-americana, ganha logo status de potência micronacional e muitos aliados. Aguiar faz os estrangeiros crerem, no entanto, que os paples são pessoas de verdade.
Nem todos, porém, acreditam que os mais de 200 bonecos de papel são gente de carne e osso. Uma pequena confusão com a Talossa, e também a antiga União das Repúblicas Ruritarianas, que entrou em colapso, é o suficiente para Porto Claro abrir o jogo e revelar, numa mensagem emocionada e lamuriosa a todos os micronacionalistas, que os portoclarenses são na verdade de celulose e tinta, e que só uns dez gatos pingados são cidadãos de verdade que entraram pela Internet (entre eles Eric Praline, Marcelo Brenneck e Jean Tisserand). Um golpe branco é dado e o Primeiro-Ministro Lamarcq Jackson é substituído por Jean Tisserand, único membro de carne e osso do PSDN. Os paples são abolidos e PC passa a procurar um novo meio de organização interna, um avanço para a sua História e, principalmente, uma desculpa para a transição.
É o fim da II Geração.
[editar] Reino na Internet, I Fase: Democracia
Reino na Internet, I Fase: Democracia (1997-1998)
O marco para o início da fase atual da História Portoclarense é o fim dos bonecos de papel, que foram a cena total de 1993 a 1996. Esse fim pode ser considerado com a publicação de “A Verdade”, carta de Telêmaco Daniel/Pedro Aguiar que revelou a público o fato que era até então desconhecido: que os cidadãos portoclarenses eram, em sua imensa maioria, feitos de papel.
É a partir de então que Porto Claro começa a ser organizado como uma micronação como as outras, com uma população que participa através da Internet e conversa por e-mail. Procura-se exemplos em outras micronações, mas PC até encontra seu próprio jeito. E como fazer a transição de cidadãos de papel para gente carne e osso?
Cidadãos de verdade são chamados para “incorporar” os antigos paples, como é o caso de João Pedro Hilário com o Rei Leonardo VI, Isabel Miranda com a Princesa Joana, Fábio da Silva com o Príncipe Fábio e o próprio Pedro Aguiar com “seu neto” Telêmaco Daniel Aguiar. Assim as identidades continuaram, mas com pessoas vivas.
A monarquia, nessa transição, começou a entrar em crise. Durante um tempo toda a Família Real esteve incomunicável, e o Poder Moderador simplesmente não era exercido por ninguém. O primeiro a voltar foi o Príncipe Fábio, que assumiu a regência por um curto período até o retorno do Rei. Depois voltou a princesa herdeira. Por pressão da nobreza, que tinha na princesa a esperança de uma monarca moderada e promissora, Leonardo VI acabou abdicando em nome da “filha”, mas permanecendo em Porto Claro (na verdade, era João Hilário, sem nenhuma ligação com o tirano, quem abdicava).
O reinado de Joana II, porém, não durou muito. Ao contrário da princesa de papel, a de carne e osso era pouco ativa e pouco interessada e foi quase uma fantoche da nobreza, até que não agüentando mais nenhuma tarefa que o posto de rainha exigia, Joana II jogou tudo para o alto e foi embora em maio, deixando um interregno de quatro meses, ao fim do qual o próprio João (sem o personagem Leonardo VI) foi eleito rei pelo novo Senado. Já não havia mais família real nenhuma e a dinastia Coimbra Mesquita desapareceu.
E politicamente, a transição é feita com Jean Tisserand, que logo no início se revela um político ultra-competente, de centro-direita mas democrata convicto, defensor da lei e da ordem. Tendo sido um micronacionalista na infância, ele já tinha alguma experiência na administração desse tipo de país. Tisserand conduziu de fevereiro a julho de 1997 um governo de coalisão entre todas as forças políticas do País, reestruturando a bases da organização nacional, as instituições, as leis e as relações externas. Esse governo foi chamado de GNU, sigla em inglês para Governo de União Nacional.
O papel histórico de Tisserand hoje não pode ser contestado, como “o primeiro-ministro da transição”, a pessoa que liderou Porto Claro de um país de gente fictícia até uma micronação de Internet genuína. Enquanto esteve à frente do Governo, Tisserand manteve a imparcialidade sempre que possível, coordenou as alterações na Constituição (é bom lembrar que o Senado eleito em dezembro/96 era constituinte) e teve que enfrentar muitos problemas de burocracia interna, inclusive a chegada em massa de centenas (sem exagero) de cidadãos a partir de 12 de maio, quando Porto Claro foi matéria de um grande jornal brasileiro e quadruplicou sua população (o conhecido Boom! de 12 de maio). E isso tudo apesar de ter convicções políticas muito fortes, mas que ele segurou até deixar o Governo. Foi também o único primeiro-ministro não-lusófono até hoje. Sua administração foi marcada por paz interna e convulsões externas, exatamente o contrário de seu sucessor.
No plano das relações diplomáticas, Porto Claro começou muito bem, com Telêmaco, o Duque de Aguiar, como Secretário-Geral da LOSS de outubro/96 a abril/97, muitos acordos e amizades internacionais, uma declaração de irmandade com a Niquedônia, a descoberta de vários outros micropaíses num período muito curto. Aguiar tornou-se chanceler em setembro de 96. Mas de maio em diante PC foi vítima de ataques cruéis de países como Talossa e aliados, contestando principalmente a seriedade nacional, das pessoas e dos governantes. As respostas portoclarenses foram furiosas e durante três meses travou-se uma vendetta de Porto Claro e aliados contra Talossa e aliados. Em meados de 1997 o Chanceler Aguiar liderou a organização do Pacto de Nouvelle Rouen, uma aliança política entre PC e Niquedônia, Utopia, Merovíngia, Port Cólice e Landreth, todos, por “coincidência”, não muito simpáticos com a Talossa.
Tisserand tinha ansiedade em realizar as eleições para um novo Senado, mas por causa de muito despreparo da política nacional, elas foram adiadas cinco vezes. Afinal, em 29 de junho, ocorreram as eleições, com quatro partidos: Partido Verde, Partido Comunista, Socialista e Conservador. Respectivamente, eles obtêm 7, 2, 2 e 4 cadeiras no Senado.
O Partido Verde tinha sido criado e liderado por Fabiano Carnevale, ministro da educação e secretário-de-estado de Tisserand no GNU. Surgiu tendo como principais metas a legalização das drogas e o discurso de grande democracia e também por ser o primeiro a assumir o republicanismo. Conseguiu vários adeptos (boa parte deles parentes de Carnevale) e tornou-se em pouco tempo o maior partido do País. Por sua forte ligação com seu original brasileiro, o PV portoclarense é criticado por tentar espelhar o Brasil em PC às vezes.
O Partido Comunista era a ressureição do PCPC de Otávio Mesquita e Tovário DeLacque. Tinha sido refundado pelo Duque de Aguiar, nacionalista convicto, que acreditou na força da legenda. A ele se juntaram Ramon Llatzer, de origem holandesa, e Francesc Savalls, de origem catalã. Esse último era conhecido por seus atos controvertidos e sempre de duvidosa seriedade, e acabou provocando um racha no Partido, quando chegou a defender a Lei Sálica e fundou um “movimento guerrilheiro” monarquista radical e defensor da aristocracia, que também clamava a volta de Leonardo VI ao trono. Quando a liderança do PCPC condenou essa atitude, Llatzer e Savalls fundaram o Partido Socialista, que defendia a monarquia e um esquerdismo europeu muito “estranho”.
Por fim o Partido Conservador era a união das forças de centro-direita que não conseguiram fundar seus partidos menores. Tisserand, Eric Praline, Fábio Trigo, Fabrice O’Driscoll e Kedon de Belém eram alguns de seus membros.
Depois de pouco mais de duas semanas de negociação após as eleições, o PV acerta com o PCPC a aliança governista, apesar do líder comunista, Daniel Girardet, não se dar muito bem com Carnevale. Durante algumas semanas as coisas parecem correr bem, com alguns pequenos rompimentos internos, negociação para aprovação de um ou outro projeto de constituição (um do Senado de papel, outro do PSPC) e candidatura do Regente João Hilário a rei.
Em fins de julho, porém, Girardet rompe com Carnevale e desfaz a coalisão do Governo, sob pretexto dos verdes aceitarem dois “traidores do Partido Comunista”, André Sengir e Fábio Leconte, em suas fileiras. Porto Claro fica assim sem monarca e sem governo, só com um senado quase defunto. O PSPC aproveita para dominar o cenário nacional e tenta tomar conta da situação. Em agosto o País mergulha no caos político e social total, quando a reação da nobreza e dos setores mais favoráveis ao PV e ao PCPC planejam um golpe de estado que outorgaria a nova Constituição e eliminaria o PSPC. Por cautela de todas as partes, o golpe acaba não ocorrendo, e o PCPC refaz a coalisão com o PV. Em meio a essa confusão toda, muitos cidadãos do boom de 12 de maio vão embora, achando que Porto Claro é uma bagunça.
No final de agosto Fabiano Carnevale se torna primeiro-ministro legítimo e dá início ao seu governo. Cria a Lista do Reino, que facilita a comunicação, e o Campeonato Portoclarense de Futebol. Apesar de poucos esforços para traduzir mensagens, a supremacia lusófona é consolidada e cidadãos de grande cacife que viviam em Nouvelle Rouen ficam descontentes. Tisserand é um deles, o que o leva para a oposição.
A Constituição nos moldes europeus do PSPC é aprovada pelo Senado, e João é eleito Rei, mesmo sem ter precedentes ou parentescos dinásticos. Originalmente, havia o projeto de o novo monarca adotar a belíssima Marquesa Anne de Danielle como sua filha e herdeira, mas tal idéia nunca se concretizou e Anne acabou por tornar-se Princesa de Orange (ver mais adiante). Os novos cidadãos, que chegam graças a uma outra matéria na mídia em setembro, já se deparam com um país mais organizado, e funcionando. Leis importantes são aprovadas, e uma certa harmonia parece reinar, com a imprensa dando um salto: são nada menos que dez jornais cobrindo as notícias nacionais. Projetos para valorização da cultura têm início. Os partidos se rearticulam em seus quadros de pessoal e plataformas. Mesmo assim, ataques públicos entre políticos são mais do que freqüentes nessa época.
O PSPC, agora com o advogado Filipe Oliveira como seu líder e presidente do Senado, ao lado de Ramon e Savalls, passa a travar uma guerra de acusações e oposição ferrenha ao PV. O braço-direito de Carnevale, o ministro e Senador Rafael Braga, que tem fama (justificada) de brigão e intempestivo, compra uma briga com os socialistas, tornando-se inimigo mortal de Filipe e Ramon. Aproveitando-se de um desentendimento entre os partidos governistas em outubro, tenta quebrar a coalisão do Governo e derrubar Carnevale, mas falha, e parte então para a tática de “dividir para melhor governar”, e resolve tomar o governo distrital de Pirraines. Numa eleição fraudada, elegem Savalls como “margrave” do distrito e aprovam uma “carta magna”. Passam a receber críticas de todo o País, mas mantêm controle sobre uma determinada região. Tentam até contestar a História Antiga de PC, dizendo que o país fora descoberto pelos holandeses. Mas continuam sem grande força no Senado.
Para tentar driblar isso, se aproximam dos conservadores (agora liderados por Fábio Trigo e Tiago Monteiro) e planejam uma falcatrua para conseguir mais cadeiras no Senado, porque a inatividade dos senadores e o simples abandono de suas funções sem aviso prévio era um problema comum e grave.
Um escândalo de corrupção, no entanto, muda os rumos do quadro político interno, quando o PSPC e o PCP se envolvem numa manobra política ilegal. Tentam trocar dois membros de partido para ganharem mais votos no Senado, já que os conservadores tinham três cadeiras vagas por absoluta desorganização interna. Uma dos “trocados”, porém, denuncia no Diário Portoclarense a armação e começa uma intensa pressão de camadas da sociedade contra os golpistas de Pirraines. Eles primeiro rejeitam a autoridade do Governo Central, mas pedem auxílio ao Rei João. Quando o próprio rei se põe contra eles, renunciam à autoridade do rei e na mesma semana deixam Porto Claro numa emigração massiva que ainda provocou confusão por uns dias depois, numa lista divulgada anonimamente de 15 pessoas em que nem todos queriam sair de PC. Terminam a “guerrilha” e o “margraviado” e as lutas em praça pública entre verdes e “socialistas”. À crise segue-se uma bonança de nova prosperidade e grandes esperanças de reformas mais democráticas.