História de Pasárgada
De Micronations
A História de Pasárgada define o próprio ser da micronação.
A História de Pasárgada é o que os pasárgados fazem dela, ou seja, ela não nasceu feita, mas se faz no tempo, sempiternamente, de modo que não se pode dizer que seja um projeto fechado ou acabado.
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[editar] Introdução: A Metodologia
A Metodologia de pesquisa histórica de Pasárgada tem sido teorizada pela Sociedade Histórica Manuel Bandeira pelo princípio da história de suas práticas. A práxis é entendida como um fazer humano, uma ação criadora e difusora que institui continuamente o que é e o que deve ser Pasárgada.
A metodologia busca, portanto, escapar do historicismo, que seria ver na história da micronação a realização de um "projeto original". Como se este "projeto original" fosse uma larva nascida no ato fundador que se desdobrasse e se manifestasse no tempo. Como se a história se limitasse a narrar o desenvolvimento imanente dessa larva.
Isto é, a historiografia pasárgada recusa-se a ver na fundação da micronação um momento imaculado de pureza e originalidade, uma essência primordial do que seria a micronação, ficando a história encarregada de dar vida a essa essência.
A adoção de tal mito do "projeto original" não apenas engessaria e dogmatizaria a história da micronação, como permitiria aos "founding fathers" - os pais-fundadores -, invocar um argumento de autoridade, virtualmente invencível, na linha de: "isto ou aquilo não é a verdadeira Pasárgada que pensamos".
Daí que a História de Pasárgada tem sido pensada como um ato de contínua fundação, sem mitificar ou teologizar o momento de sua emergência, construindo permanentemente seu imaginário, seus símbolos e seu projeto.
Além disso, a História de Pasárgada não se apresenta como uma narrativa linear, como se houvesse uma identidade intocável e natural. Rejeita a universalidade abstrata como fio condutor histórico da micronação, que se revelaria numa linha contínua e homogênea do tempo, preenchida pelos fatos. Esta a definição de ideologia, evitada pelos historiadores pasárgados.
Ao contrário, a historiografia local tem preferido constituir a sua própria história com foco sobre as diferenças, as lutas, as cisões, a visceral fragmentação endógena.
Daí que a história pasárgada não vê no Estado, na Nação ou nos Pais-Fundadores como fator unificador ou sintetizador das contradições, pois isto implicaria na verdade esconder a alteridade interna e camuflar os conflitos, - e as vitórias e derrotas que deles resultam, que fazem o que Pasárgada é - para narrar somente a versão do vencedor, do dominante.
A História de Pasárgada é vista, conseqüentemente, como a história da produção interna de diferenças. E não propriamente de divergências individuais ou programas partidários, porém, mais profundamente, de diferenças de práticas micronacionais, de valores, paradigmas, ideais, formas e modelos de fazer o micronacionalismo.
Em síntese, a metodologia histórica para Pasárgada - ou, pelo menos, a da SHMB - trabalha com interpretações e não fatos, com práticas e não egos, com contingências e não narrativas lineares, com um projeto aberto e não fechado num mítico ato fundador.
[editar] A Emergência de Pasárgada
A Emergência de Pasárgada - e não sua "origem" - encontra suas condições de possibilidade na convergência de forças micronacionais e extramicronacionais que são resumidas a seguir:
- Ideais de racionalização (no sentido weberiano) dos procedimentos e técnicas de fazer micronacionalismo, substituindo a lógica do marketing e da mágica da atividade, vigentes até então, por ex., no Sacro Império de Reunião, pela lógica da eficiência, o que também ficou conhecido impropriamente como "profissionalização" do micronacionalismo, o que se deu, cronologicamente, a partir do segundo semestre de 2000, com o primeiro governo da União Democrática Humanista, - de onde procederam todos os 8 anunciadores da nova micronação, - que tinha como premiê José Borrás. A racionalização foi radicalizada em Pasárgada mediante a criação de uma burocracia altamente organizada e sistêmica, amparada por um complexo superordenado e estruturado de sites, em um formalismo legalista voltado à impessoalidade e à normatização-total das funções públicas, cujo ícone talvez seja o Ministério de Estado, em oposição clara, portanto, às formas de poder marcadas pela liderança carismática, informalidade e por soluções contingentes, casuístas, de "jeitinho", que plasmavam o Sacro Império de Reunião.
- Maior vivência dos micronacionalistas que se tornariam os primeiros cidadãos da micronação, com idade média de 25,5 anos, exercendo diversas profissões extramicronacionais, - como advogado, engenheiro, analista de sistemas, comunicadora social, professor de português etc - o que assegurou um envolvimento mais maduro e criterioso na prática micronacional, bem como a aversão a práticas jocosas, extravagantes, levianas ou simplesmente adolescentes, tomando como contra-exemplo a trajetória do governo Arthur Rodrigues (PacSO), do Sacro Império de Reunião, no qual, inclusive, propôs-se que o juramento de admissão do súdito reunião constasse da declaração de que o micronacionalismo é uma "atividade jocosa e lúdica". Esta maturidade impulsionou Pasárgada no sentido de emblemática e célebre Virada Filosófica Pasárgada, do virtualismo ao realismo, culminando no Dia da Extirpação dos Virtualismos e também no discurso oficial do Micronacionalismo Sério.
Portanto, estruturalmente, a sua Emergência resultou, basicamente, da confluência entre os ideais weberianos de racionalização e burocratização da micronação, - o que lhe conferiu inédita eficiência na captação de novatos e na produção de atividade - e a aspiração por maior seriedade, maturidade e realismo na prática micronacional, em suma, num micronacionalismo mais adulto, informando, destarte, o corpo histórico de práticas que foram anunciadas como Comunidade Livre de Pasárgada.
[editar] A Sedimentação do Micronacionalismo Pasárgado
A Sedimentação do Micronacionalismo Pasárgado deu-se com o aprofundamento das diferenças, afirmadas em oposição ao paradigma reunião-portoclarense vigente e, especialmente, a práticas de Reunião mencionadas na seção anterior. Isto significou:
- Consolidação da proposta realista, decisivamente após a Lei do Território, depurando cuidadosamente práticas abertamente virtualistas e divulgando, mediante a diplomacia e a imprensa, com algum sucesso, as novas concepções de território e de participação engajada, culminando em um inédito apelo de responsabilidade e autenticidade do micronacionalista, o que ficou conhecido como existencialismo micronacional. A Virada Filosófica Pasárgada levou ao desenvolvimento do discurso diplomático e jornalístico - especialmente mediante o jornal Tribuna Popular - orbitante ao redor da idéia de Micronacionalismo Sério, que, se de um lado percolou o terreno dos valores na Lusofonia, influenciando algumas micronações, de outro rendeu à Pásargada, graças a seus detratores, certa fama de preconceituosa e discriminatória.
- Consolidação do estado burocrático, fundado na dominação racional-legal, em repúdio às lideranças carismáticas e aos personalismos, com a promulgação da sua primeira e única Constituição Comunitária, dois meses após a fundação, e a aprovação sucessiva de aperfeiçoamentos e sofisticações da máquina administrativa e das instituições estatais, que logo se caracterizariam por cinco funções bem delineadas e harmônicas: Parlamento (base da soberania), Governo (executiva, nacional), Conselho de Togados (judiciária), Chancelaria (chefia de estado) e Provedoria-Geral de Justiça (ministério público).
[editar] A Primeira Cisão
Por "Primeira Cisão" referimo-nos à primeira tensão dialética surgida no seio de Pasárgada que, uma vez surgida e sedimentada, iniciou seu processo de produção interna de diferenças.
A primeira contradição interna, de substância, irrompida na passagem de 2001 para 2002, cuja ebulição ocorreu em julho e agosto de 2002, caracterizou-se pelas seguintes forças antitéticas:
- De um lado, o discurso que valorizava o espaço de alta maturidade social, identificado com relações harmoniosas e saudáveis, livres de disputas mesquinhas ou brigas políticas, prezando por uma terra verdadeiramente "idílica", tal como no poema-símbolo, em oposição às peripécias pueris e às estultícies da antiga Reunião, ou seja, um discurso que embutia a visão de sincera cordialidade e amizade dentre os cidadãos, - facilitado aliás pela idéia de que cada micronacionalista era o que era na "vida real", - o que, ao mesmo tempo em que incrementou a coesão social, desviou a atividade da arena pública, propriamente política, para o campo das relações privadas, da intimidade de cada qual. Tais valores encontravam seu centro irradiador na liderança do tipo carismático de José Borrás que, graças à ascendência política e pessoal sobre outros cidadãos, notavelmente os da Casa Popular, sobreviveu, enquanto personalidade paternal, ao crescente avanço e posterior hegemonia do poder racional-legal, da impessoalidade das instituições, de viés weberiano, que tanto marcou a emergência da micronação como singularidade em meio ao cenário da Lusofonia.
- De outro lado, outro discurso, com vista a aprofundar e radicalizar a racionalização da sociedade pasárgada, impropriamente chamada de "profissionalização", bem como afirmar agressivamente os novos valores, brotados da emergência da micronação, realismo e existencialismo; uma força que tinha como suporte a terceira Casa, aparecida em agosto de 2001: a Coração Pasárgado (CorPas, fundadores: Carlos Fraga, Bruno Cava, Yuri Ghenov, Rafael Figueira e Guilherme Pagel); ela própria de organicidade, consistência ideológica e racionalidade funcional então inéditas no mundo micronacional, dotada de aparato de forte marketing, decidida a absorver novos cidadãos, crescer e assumir as rédeas da micronação, numa espécie de sede lupina de poder, o que, com efeito, aconteceu nos meses seguintes, após uma explícita "guerra de posições", adonando-se sistematicamente das instituições do estado - porém sempre de acordo com a legalidade que, por sinal, constituía seu principal artigo de fé - incorporando a esmagadora maioria dos novatos e, inclusive, os principais líderes dos partidos pregressos - Leonardo Carrion, da Casa Sem Fronteiras, e José Borrás, da Casa Popular, ainda que, quanto a este último, maior representante das forças de valorização social e privada, tenha se desfiliado e se postado na frente de oposição da agora majoritária CorPas - as forças representadas na CorPas tendo reunido todas as condições, assim, de afirmar e sedimentar sua visão de agonístico partidarismo e extensiva burocratização, simultaneamente em que estabeleceu uma virulenta oposição às forças descritas no item anterior, considerando-as deletérias à atividade política, ao campo público da micronação, pois essa "ostensiva fruição da amizade" estaria esgotando a verdadeira atividade em proveito de conversas e laços privados, íntimos, o que, entendiam aqueles, levaria à "patotização" de Pasárgada, fechando-a em um círculo seleto de amigos, que se restringiria a discutir temas de interesse interpessoal e extramicronacional, desvirtuados destarte da essência do micronacionalismo, prejudicando a integração de novos cidadãos - logo, o crescimento da "máquina" e sua eficiência, que a CorPas assumia como programa - tais forças foram tachadas, pejorativamente, utilizando um termo já antigo na prática micronacional, de "Ursinhos Carinhosos", que quereriam instituir uma "Pasárgada Cor-de-Rosa".
O choque violento das forças antagônicas aconteceu nos meses de julho e agosto de 2002, que ficou conhecido como "Agosto Crítico", com o acirramento da contenda discursiva e a dominação quase absoluta das posições institucionais pela Coração Pasárgado.
Após fastiosas e desinteressantes brigas, que incluíram, como é usual, os ataques ad hominem, Pasárgada cindiu, literalmente, em duas:
- As forças circundantes à figura carismática de José Borrás, - o que totalizava cerca de 10 pasárgados, inclusive 2 outros co-fundadores: Vítor Almeida e Sérgio Schüller, - anunciaram abruptamente a desistência ao projeto pasárgado, que estaria eivado dos "mesmos vícios do micronacionalismo reunião", apontando nas ações das forças representadas pela CorPas um ímpeto pérfido de "reunionização", querendo dizer que as mesmas brigas adolescentes de outrora, que teriam, em parte, motivado Pasárgada, grassavam agora na Comunidade. Quando a desistência foi anunciada, já estava em curso o anúncio de uma nova micronação, a primeira "filha" de Pasárgada, batizada Andorra Imperial, cuja emergência pode ser assinalada na adoção de todos aqueles valores e práticas que caracterizavam as forças dissidentes da referida conjuntura pasárgada, ou seja, um investimento em relações privadas saudáveis e na coesão social com base em maior intimidade; dissidentes reunidos ao redor de uma liderança do tipo carismático, José Borrás, que imediatamente foi alçado à posição de "Imperador", com poderes moderadores. A filha mais velha de Pasárgada não apenas reatou com um modelo institucional próximo do Reunião, - sem embargo manter, como era de se esperar, os ideais de burocratização e eficiência que vem desde os tempos da União Democrática Humanista, - como também reintroduziu certo matiz virtualista, - sem embargo misturado, em combinação aliás única, com o existencialismo, - virtualismo, na ocasião, bastante discrepante dos valores pasárgados.
- As forças que eram dominantes institucionalmente, centradas na Coração Pasárgado, herdaram assim a estrutura de Pasárgada, tornando-se absolutamente dominantes, podendo, neste momento sem qualquer oposição, implantar em definitivo seu projeto político e cultural, que é o que descrevemos no próximo item.
[editar] A Revolução Pasargadista
A Revolução Pasárgadista foi (...)
