Porto Claro no século XIX
De Micronations
O século XIX é marcado por disputas e mudanças drásticas na Guiana Francesa e em Porto Claro. Com a independência do Brasil e a formação do Império Brasileiro, as influências dos lusófonos aumentam no local, criando-se inclusive quilombos de escravos fugitivos perto da região. A política da metrópole para com a colônia só muda com a revolução de 1848. Em 1854, a França demarca as fronteiras de seu território sul-americano, sob o governo de Napoleão III.
Corrida do Ouro
Porém, em 1875, um grupo de garimpeiros descobre uma grande jazida de ouro em Calçoene, no Amapá, a 30km de Porto Claro. Os brasileiros correm para o local, e a proporção de lusófonos para francófonos aumenta. Mas franceses também emigram para o lado brasileiro, retirando ouro ilegalmente do Brasil. Nessa época, São Herculano do Porto Claro vira um porto e entreposto para escoamento clandestino de minério.
Prevendo a grande procura e as possíveis grandes rendas da extração de ouro, o Governo da França (já na III República) volta a reivindicar direitos sobre o local, contestando a posse brasileira. A alegação francesa contra o Brasil é a de que o rio limítrofe definido pelo Tratado de 1777 era o Araguari, e não o Oiapoque. Isso daria aos franceses não só metade do Amapá, como também toda a região de jazidas de ouro e manganês.
A violência estoura entre as duas populações, pois tanto francófonos como lusófonos reclamam o direito de explorar as minas. Porto Claro, cidade dividida, procura se equilibrar enquanto pode. Mas tanto de um lado quanto de outro a ganância faz as armas falarem mais alto.
República de Cunani
Para tentar amenizar a situação, o Império do Brasil e a República Francesa consentem em entregar a administração da região em litígio a um governo provisório de uma república independente, governada por exploradores, aventureiros, mineiros e até índios. Essa república ganha o nome de “Cunani”, a maior tribo indígena local.
Mas nem tudo pára. Em 1895, apoiados pela administração de Caiena, os franceses partem com navios e armas para bombardear o Amapá e depor Antônio Xavier da Veiga Cabral, aventureiro brasileiro que tomara posse de Cunani, mas acabam rechaçados pelos brasileiros.
Questão do Amapá
A essa altura o Brasil já é uma república, e o experiente diplomata Barão do Rio Branco é enviado como representante brasileiro na disputa. A Suíça é escolhida como árbitra internacional em 1897, e a partir daí as comitivas francesa e brasileira mergulham em documentos dos séculos XVII e XVIII para justificar suas posições. Porém a tese do Barão é fundada e documentada, enquanto que a fraca teoria dos franceses se baseia em relatos antigos e poucos confiáveis de antigos colonos.
Afinal, o presidente suíço Walter Hauser dá, a 1º de dezembro de 1900, a decisão final em favor do Brasil. A República de Cunani permaneceria nominalmente até a segunda década deste século. Os franceses teriam de recuar, e os brasileiros poderiam explorar as reservas de ouro e manganês de Calçoene e Serra do Navio. Os dois lados, em São Herculano do Porto Claro, ficam descontentes.
Ver, a este respeito, os verbetes Questão do Amapá e Contestado Franco-Brasileiro.
